Volks admite fraude: ‘cagamos por completo’

    às: 23:07 , atualizado em 22 de setembro às: 23:21
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    Da Redação e da Agência Brasil
    VOLKS
    Michael Horn, presidente da Volkswagen nos Estados Unidos no centro do escândalo: “cagamos por completo”

    Naquela que já é a maior crise da história a empresa, a Volkswagen alemã admitiu nesta terça (22) que mais de 11 milhões de seus carros a diesel em todo o mundo têm um dispositivo para fraudar os controles de emissão de gases.

    A direção mundial da Volks admitiu a fraude depois que autoridades de saneamento ambiental dos Estados Unidos descobriram um software nos veículos que adultera os números dos medidores de poluição do ar.

    Até a noite deste terça (22), a Volkswagem do Brasil não havia se manifestado sobre o escândalo e nem sobre se os modelos suspeitos são vendidos no País.

    Em declarações cruas e sem precedentes na história das relações corporativas das grandes empresas, o presidente da Volks americana, Michael Horn, não hesitou em usar palavas chulas para pedir desculpas.

    “POR COMPLETO”

    “Cagamos por completo”, disse Horn na segunda-feira (21) à noite em Nova York, durante o show de lançamento de um novo modelo Passat, com a presença do cantor Lenny Kravitz.

    “Fomos desonestos com a EPA (agência de proteção ambiental dos Estados Unidos), fomos desonestos com o conselho da ARB (agência ambiental da Califórnia), fomos desonestos com todos vocês”, disse.

    A descoberta da fraude, anunciada na quinta-feira passada (17), causou um terremoto na empresa e chocou os consumidores de todo o mundo.

    A empresa teve de admitir que instalou o dispositivo de modo deliberado para burlar a estrita vigilância ambiental dos Estados Unidos, afetando pelo menos 482 mil veículos a diesel só naquele país.

    Trata-se de um engenhoso equipamento capaz de perceber quando o veículo está parado num teste de emissão de gases. Neste momento, o software reduz os poluentes a níveis compatíveis com a legislação.

    Mas quando o veículo é liberado, o motor volta a funciona normalmente, emitindo até 40% a mais de gases poluidores do que o limite da lei americana.

    A fraude pode resultar em multa de até US$ 18 bilhões (R$ 72 bilhões) e varrer a empresa alemã do maior mercado de automóveis do planeta.

    O presidente mundial do grupo Volkswagen, Martin Winterkorn, também reconheceu que a empresa adulterou os dados.

    No domingo (20), ele lamentou ter “quebrado a confiança” dos clientes e do público, mas até esta terça ainda resistia a demitir-se do cargo.

    A marca suspendeu as vendas dos modelos dos carros envolvidos, foco dos esforços de Winterkorn para recuperar o mercado americano.

    A estratégia da Volks nos Estados Unidos alardeava exatamente que seus carros a diesel tinham motores poderosos e, ao mesmo tempo, poluíam pouco.

    Alguns dos veículos que incluem esse motor são o Golf, Jetta, Beetle da Volkswagen e o Audi A3.

    MERKEL

    A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesta terça à Volks que garanta “transparência total” no caso.

    Na Coreia do Sul, dirigentes da Volks local foram convocados pelo governo para discutir os testes de emissão de poluentes. O país tem 59 mil carros a diesel da marca em circulação.

    Os governos da Itália, França e Reino Unido também exigiram explicações. A Inglaterra pediu uma investigação da Comissão Europeia.

    As ações da empresa chegaram a cair quase 20% nesta terça – a maior de sua história.

     

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