Vaccari depõe em SP sobre corrupção na Bancoop

    às: 19:54 , atualizado em 24 de fevereiro às: 12:04
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    vaccari preso
    joão Vaccari Neto, tesoureiro do PT, está preso em Curitiba desde o dia 15 de abril pela Operação Lava Jato

    Demorou 2h45 min. o depoimento prestado nesta quarta (4) pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto perante a juíza Cristina Ribeiro Leite Balbone Costa, da 5ª Vara do Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.

    Vaccari, que está preso no Paraná pela Operação Lava Jato, veio a São Paulo para ser ouvido sobre irregularidades na Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo.

    Ele chegou ao fórum por volta das 13h10, acompanhado por dois policiais federais e negou todas as acusações sobre a Bancoop, que ele presidiu por cinco anos, de 2005 a fevereiro de 2010.

    A Bancoop é uma cooperativa criada em 1996 pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo para construir conjuntos habitacionais para seus associados.

    O Ministério Público suspeita, no entanto, que a cooperativa não tenha cumprido a promessa de entregar imóveis quitados a seus cooperados e que tenha servido, na verdade, para captar recursos para o PT.

    Segundo a denúncia apresentada pelo MP, durante a gestão de Vaccari os imóveis não foram entregues dentro do prazo e a movimentação de recursos serviu para captar recursos para o PT.

    As acusações foram negadas tanto por Vaccari quanto pelo partido. Outros ex-diretores da Bancoop também foram ouvidos.

    O Ministério Público acusa os acusa os réus de estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

    Os interrogatórios desta quarta encerraram a fase de instrução do processo, que corre sob segredo de Justiça.

    Vaccari foi ouvido das 13h45 às 16h. Após o depoimento, ele voltou à sua prisão no Paraná. Os jornalistas não puderam acompanhar os depoimentos.

    Segundo o promotor José Carlos Blat, Vaccari, mentiu sobre a história da Bancoop, cooperativa que trouxe prejuízos a mais de 3 mil famílias.

    “A Bancoop, como organização criminosa, serviu de embrião para outros escândalos que estamos vendo hoje estourarem pelo Brasil afora”, disse o promotor.

    Segundo ele, as irregularidades cometidas “fomentaram não só o bolso de diretores como também campanhas políticas-partidárias”. Blat estima o prejuízo aos cooperados em R$ 100 milhões.

    O processo tem cinco anos e já ouviu mais de 100 pessoas, rendendo mais de 150 volumes de documentos.

    O advogado Luiz Flávio D’Urso, que defende Vaccari, disse que seu cliente negou as irregularidades e deu todas as explicações, que “são verdadeiras”.

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