Unifesp Guarulhos programa outro ‘debate’ de um lado só: adivinhe qual

às: 20:06 , atualizado em 29 de agosto às: 23:16
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A Unifesp Guarulhos programou para esta quarta-feira (31) mais um evento acadêmico aberto ao público para defender o PT e chamar o impeachment de “golpe”.

Está virando uma especialidade da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH): “debates” de um lado só, sem divergências, sem pluralismo, sem qualquer outro propósito que não a exaltação ideológica da finada cleptocracia petista.

Desta vez, o pretexto será o lançamento do livro “Historiadores Pela Democracia”, organizado por um movimento de mesmo nome que não esconde seu caráter cortesão e adulatório do extinto governo.

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Historiadores por Dilma: convescotes no Palácio e panegíricos pela internet

Basta notar que a capa do livro é uma montagem sobre a foto de Dilma “Coração Valente” – a famosa imagem da ex-presidente dos tempos da guerrilha, usada exaustivamente durante as campanhas eleitorais de 2010 e 2014.

E se ainda restar alguma dúvida, um rápido passeio pelo site do movimento (aqui) se encarregará de dissipá-la.

Um dos posts registra um evento em que as “historiadoras pela democracia” se congratulam com a presidente afastada por ela ter ganhado de presente uma serigrafia com sua imagem (aquela mesma), de autoria do “artista visual” André de Castro.

Outro post é um vídeo sobre a visita de um fornido grupo de intelectuais petistas ao Palácio da Alvorada, em julho último, para solidarizar-se com a presidente após a admissibilidade do impeachment no Senado.

“JOURNÉE DES DUPES”

A Unifesp programou, também para esta quarta, uma palestra com o professor Luiz Felipe Alencastro sobre “o papel do historiador no debate público”.

Alencastro, justiça seja feita, é um dos mais discretos dos medalhões petistas da academia. É autor de “O Trato dos Viventes”, um importante estudo sobre o tráfico de escravos no Atlântico Sul.

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Cardeal Richelieu: quem é absolutista?

É professor aposentado de história do Brasil da Universidade de Paris/Sorbonne e atual professor na FGV em São Paulo.

Mas é um intelectual que tem “lado”  – o lado do PT. Em abril, por exemplo, classificou o impeachment de uma “journée des dupes” (o dia dos tapeados, ou dos tolos), sugerindo que os adversários do petismo também perderiam com a tentativa de acabar com o governo Dilma.

A “journée des dupes” é um evento que todo estudante de história conhece.

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Maria de Médicis: quem é a tola?

Refere-se à fracassada tentativa de golpe contra o cardeal Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís 13, tramada no dia 10 de novembro de 1630 pela mãe do monarca, Maria de Médicis, e seus aliados.

O rei não cedeu à pressão e forçou o exílio da mãe. Richelieu pôde, então, dedicar-se até o fim da vida à sua obra intelectual e política de consolidação do absolutismo francês.

Nesse estranho paralelo histórico, só não ficou claro qual seria o papel de Dilma: seria ela uma versão de saias de Richelieu, o absolutista, ou apenas uma Maria de Médicis, a tola?

Alencastro terá a oportunidade de esclarecer esses detalhes na companhia dos muitos coautores do livro, que também têm lado.

Por exemplo, o professor da Unifesp André Roberto de Arruda Machado, autor de um recente artigo em que tenta ridicularizar Sérgio Moro, chamando-o elegantemente de “um juiz da roça”.

Ou a professora Hebe Mattos, da Universidade Federal Fluminense, autora de uma impressionante louvação a Dilma, à guisa de carta-aberta, cuja primeira frase começa com um enlevado “Querida Presidenta”.

Os dois textos viraram capítulos do livro…

SERVIÇO
Debate: Lançamento do livro “Historiadores pela Democracia” e palestra com o historiador Luiz Felipe Alencastro.
Local: Teatro Adamastor Pimentas, Universidade Federal de São Paulo, campus Pimentas/Guarulhos.
Dia 31/08/16, das 18h30 às 20h30.
Endereço: Estrada do Caminho Velho, 333, Pimentas, Guarulhos. Aberto ao público.

 

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