Temer tem de indicar uma força-tarefa federal para investigar a morte de Teori

às: 20:28 , atualizado em 19 de janeiro às: 21:51
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Teori Zavascki: morte trágica, a poucos dias da maior homologação da Lava Jato

O pronunciamento do presidente Michel Temer, no início da noite desta quinta (19), sobre a morte de Teori Zavascki, nem de longe deu conta do que aconteceu na política brasileira nas dramáticas horas anteriores.

Além do luto oficial de três dias, que é de rigor, o presidente deveria imediatamente anunciar a constituição de uma força-tarefa federal – formada por uma equipe de elite da PF, com apoio da Abin e MPF – para investigar as causas do acidente.

Passados os primeiros momentos do choque, uma única questão está na cabeça de todos os brasileiros preocupados com o futuro da Lava Jato: foi mesmo um acidente?

A partir de agora, não haverá outro assunto mais importante do que responder equilibradamente a essa questão.

É bom lembrar que o próprio filho do ministro, Francisco Zavascki, há um ano, já havia levantado a hipótese de que “algo” poderia acontecer ao relator da Lava Jato, ou a alguém da sua família.

Ele sabia de alguma coisa? O ministro recebeu ameaças? Temia por sua vida? Agora, será preciso apurar tudo isso bem a fundo.

Ontem, nada menos do que um dos delegados da Polícia Federal que integra a Lava Jato, Márcio Anselmo, colocou aspas na palavra “acidente” para descrever a queda do avião. Ele também prenunciou “o fim de uma era”.

O delegado exagerou? Ou também sabe de algo que nós não sabemos?

É preciso pesar bem o que aconteceu e dar uma resposta compatível com a ousadia sem limites das forças políticas e econômicas que tentam melar a Lava Jato.

É inevitável: a hipótese de um atentado para calar o homem que homologaria, nos próximos dias, as delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht é a primeira coisa que vem à mente.

É urgente, portanto, que Temer faça a sua parte e promova uma investigação exemplar.

Dadas as circunstâncias, tal medida não se impõe apenas por dever de transparência, mas em nome do equilíbrio institucional e do futuro de seu próprio governo.

Não se trata de teoria conspiratória. Trata-se, bem ao contrário, de afastar o risco de que qualquer teoria conspiratória se instale como um novo mistério da política brasileira, como foi a morte de Celso Daniel.

Sem uma apuração isenta e rigorosa do que causou a queda do King Air no mar de Paraty (aliás, a mesma região onde morreu Ulysses Guimarães, em 1992, um mês depois do impeachment de Fernando Collor), a dúvida assombrará este governo para todo o sempre, deixando em segundo plano qualquer outro sucesso econômico ou político.

É preciso organizar e anunciar, de imediato, uma força-tarefa formada pela PF, Procuradoria-Geral da República e Abin, sob supervisão do STF e do Congresso, para isolar a área do acidente e federalizar a investigação.

A Lava Jato chegou a um ponto crítico com a morte de seu relator no STF.

O Brasil simplesmente não pode conviver com a sombra de um ato terrorista a pairar sobre os próximos passos do processo mais importante de sua história política.

 

 

 

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