Petistas leem corretamente a prisão de Cunha e reagem com cautela

às: 15:53 , atualizado em 19 de outubro às: 17:08
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O PT reagiu sem nenhum entusiasmo especial  – na verdade, com muita cautela – à notícia da prisão de Eduardo Cunha, o bode expiatório dos males do partido desde o final do ano passado.

Compreensível. A frase “Lula será o próximo” estava na cabeça e nas entrelinhas de todos os poucos petistas e aliados que se manifestaram no início da tarde desta quarta (19).

Às 15h, por exemplo, a informação da prisão não constava nem mesmo no canal de notícias do site do PT Nacional.

No Facebook do deputado estadual Alencar Santana, do PT de Guarulhos, nenhuma referência à prisão.

O foco era todo para a CPI da Merenda na Assembleia paulista.

Nada também no Facebook de Luiz Marinho, prefeito petista de São Bernardo, onde mora Lula, e nem no de Carlos Grana, candidato à reeleição em Santo André.

E também nada na página de Emidio de Souza, o ex-prefeito de Osasco e atual presidente do PT-SP.

Às 17h, o post mais recente de Emidio era o artigo de Lula na “Folha de S. Paulo” do dia 17, no qual o ex-presidente se considera vítima de uma injusta “caçada judicial”.

No Facebook de Afonso Florence (PT-BA), o loquaz vice-líder do partido na Câmara dos Deputados, o post mais recente era sobre o Dia dos Professor.

Em sua página no Facebook, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) não se manifestou de própria voz.

Às 15h31 (portanto, mais de três horas depois da prisão), ela limitou-se a compartilhar um vídeo feito no plenário do Senado por Lindbergh Farias (RJ) e Humberto Costa (PE).

No vídeo, Lindbergh diz que a prisão “já estava na hora” e que espera “sinceramente que ele (Cunha) fale”, ou seja faça uma delação premiada.

“Uma delação de Eduardo Cunha, tenho certeza, não deixa pedra sobre pedra desse governo de Michel Temer e seus ministros”, disse.

“E nem nos vestais da antiga oposição”, completou Humberto Costa.

Lindbergh, no entanto, deixou escapar uma frase premonitória, perfeitamente aplicável a outros enroscados na Lava Jato.

“Demorou, mas saiu. Eu quero ver os próximos passos”, disse.

Sobre Lula, claro, nenhuma palavra.

Mas o raciocínio de que a prisão de Cunha pode ser uma prévia da prisão do chefe do PT estava presente, à boca pequena, em todos os comentários.

Coube apenas à despachada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), líder da minoria na Câmara dos Deputados, explicitar a apreensão de seus amigos.

Num discurso no começo da tarde, Jandira afirmou que a prisão de Cunha “não deve servir de argumento à falsa isenção para seguir em rota com a prisão de Lula”.

Nenhum deles se lembrou de fazer qualquer reparo à legitimidade do juiz Sérgio Moro para prender Cunha.

E todos eles se viram na obrigação de torcer para que o ex-deputado “fale tudo” numa delação premiada – instituto que, neste caso, merece toda consideração. Portanto, também perfeitamente legítimo.

A direção nacional do PT tem razão. Sérgio Moro é um estrategista.

 

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