Olimpíada mostrou ao mundo o Brasil de sempre

às: 15:09 , atualizado em 22 de agosto às: 19:29
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Rio de Janeiro - Cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016, no Maracanã (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Encerramento da Olimpíada exibe um Brasil que os gringos já conheciam: carnaval, mulatas, jeitinho…

O desfecho bem-sucedido da Olimpíada foi recebido com um “ufa!” de alívio por milhões de brasileiros e centenas de autoridades, mas convém não alimentar o autoengano.

O fato de não ter ocorrido nenhuma tragédia não significa que a Rio 2016 foi um sucesso. O “não deu m…” quer dizer apenas que não deu m…

E o fato de ela simplesmente ter acontecido, também não. Ou alguém acha mesmo que, em condições normais, um país como o Brasil não é capaz de organizar um evento desse porte?

DUAS PERGUNTAS

Responda com sinceridade a duas perguntas e tenha uma medida mais equilibrada do que você realmente está sentindo:

1-Considerando a situação atual do país, valeu a pena gastar R$38 bilhões para esses 21 dias de puro encantamento?

2-Se pudesse, você toparia fazer tudo de novo?

Lembre-se: os R$ 38 bilhões da Rio 2016 devem se somar aos R$ 30 bilhões da Copa do Mundo de 2014. Total em dois anos: quase R$ 70 bilhões.

Os otimistas jogarão a sujeira da Baía da Guanabara para debaixo do tapete e mencionarão o “legado”. Por exemplo, no Rio, uma nova linha de metrô, um VLT simpático e a região do porto revitalizada.

Bem, já conhecemos essa história. O que você tem a dizer, hoje, sobre o legado de elefantes brancos e estádios superfaturados da Copa do Mundo?

E você acha mesmo que aquele conjunto de obras precisava de uma Olimpíada para se tornar realidade?

Outro argumento dos patriotas otimistas (porque os há realistas) é que a Rio 2016 apresentou uma imagem simpática do Brasil no exterior e, para os brasileiros, provou a capacidade do país de superar desafios.

ZERO A ZERO

Ora, o Brasil não conseguiu nenhum ganho substantivo de imagem no exterior. Em termos de marketing, foi no máximo um zero a zero.

Se o objetivo de um megaevento como a Olimpíada é mostrar ao mundo um novo capítulo da história de um país, o surpreendente potencial de uma nação, então é forçoso concluir que a Rio 2016 foi um fracasso.

Essa Olimpíada reforçou dramaticamente todos os pontos positivos e negativos sobre o Brasil que os gringos já conheciam havia décadas.

Aliás, o tom passadista da cerimônia de encerramento desse domingo (21), com o desfile de escolas de samba e uma seleção de antigas marchinhas de carnaval, foi uma síntese perfeita daquele caldeirão de preconceitos e verdades relativas.

O Brasil que emergiu da Rio 2016 foi o país da bagunça, da falta de planejamento, do jeitinho, da gambiarra, da insegurança, da violência, da malandragem, da corrupção, da falta de educação.

E, ao mesmo tempo, o Brasil da hospitalidade, do povo alegre, da tolerância, da “diversidade”, do improviso, do carnaval, da alegria, das cores, das mulatas, dos peitos, das bundas…

O quadro fixado há um século no imaginário de brasileiros e estrangeiros não sofreu qualquer retoque. A Olimpíada não acrescentou nada e não tirou nada.

Pense no Japão de 1964, quando organizou sua primeira Olimpíada. Era de fato um novo país que se mostrava ao mundo, 19 anos depois da derrota catastrófica na Segunda Guerra Mundial.

Ou na Barcelona de 1992. Era uma nova Espanha, 12 anos depois da morte do ditador Francisco Franco.

Quando Lula mobilizou todo o seu governo para trazer a Olimpíada ao Rio, em 2009, certamente pensava em exibir o novo Brasil da era petista.

Mas o que o mundo viu foi muito mais do mesmo: o país dos políticos corruptos, falastrões e incompetentes, cercados por um povo gentil e perplexo.Enfim, o verdadeiro Brasil petista.

E convém não esquecer de que Lava Jato mal começou a investigar os estádios da Copa e as obras da Rio 2016.

Uma das melhores piadas do ano na web diz que as piscinas do Complexo Maria Lenk ficaram verdes de tanto ser usadas para lavar dólares…

Valeu mesmo a pena? Você faria tudo outra vez?

 

 

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