O maravilhoso mundo do FB

    às: 11:50 , atualizado em 03 de outubro às: 11:50
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    Na última segunda-feira (28), o FB ficou quase uma hora fora do ar. Centenas de memes e piadinhas foram postadas. Iam desde o fracasso de Zuckerberg à invasão do Twitter, e até ao fim da crise no Brasil. Compreensível.

    Além de ser a sala de vistas e a mesa do bar de milhões de pessoas, o FB tornou-se o principal meio de informação e comunicação (chat) entre as pessoas.

    Em poucas horas, um fato muito particular, numa determinada localidade remota, ganha milhares e milhares de compartilhamentos e se viraliza. Você poderá perguntar a respeito desse fato em qualquer lugar em que estiver, não importa onde, e alguém sempre saberá do que se trata e também terá uma opinião sobre o assunto.

    E muitas vezes coisas bacanas acontecem nesse mundo – talvez porque, no fundo, a humanidade queira o bem, ainda que eu não desconsidere o mal que existe.

    Um exemplo. No dia 25 de setembro, o diretor e produtor Ulisses da Motta Costa estava no trem que fazia o percurso entre São Leopoldo e Nova Hamburgo, no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, por volta das 17h30.

    Foi quando presenciou uma emergência. Uma senhora, já com certa idade, como explicou Costa em sua página do FB horas depois, passou mal assim que o trem saiu da estação. Ela desmaiou e começou a sangrar pelo nariz.

    O alarme foi acionado e o condutor decidiu que o trem pararia na estação seguinte, Santo Afonso, em Nova Hamburgo. Nesse meio tempo, um homem aproximou-se da mulher. Era um refugiado senegalês, soube depois o produtor, ao conversar com o personagem desta história.

    O homem era enfermeiro em seu país de origem e socorreu a mulher, aplicando-lhe as primeiras medidas para conter uma perigosa crise de hipertensão. Conseguiu fazê-la se recuperar o suficiente para aguentar até a próxima parada, quando foi levada a um hospital. Agora, passa bem.

    Moussa, o senegalês, foi enfermeiro durante 15 anos antes de migrar para o Brasil, onde trabalhava numa fábrica de refrigerante, ganhando um salário mínimo por mês. Está há 18 meses no Brasil e deixou no Senegal a mulher de 23 anos e os dois filhos, um casal de 2 e 5 anos.

    O post relatando essa história ganhou repercussão. Acredito mesmo que coisas bacanas tendem a ser compartilhadas e…bem, na noite de segunda-feira, ele já tinha sido compartilhado 26 mil vezes, recebido 56 mil curtidas e rendido 2,6 mil comentários.
    Em poucas horas, na segunda de manhã, Moussa tinha recebido mais de 50 propostas de emprego em sua especialidade. De clínicas, hospitais, associações etc.

    Não sei avaliar isso muito bem, mas me parece que socorrer alguém numa crise de hipertensão não seja assim tão fantástico. Mas socorrer uma pessoa passando muito mal, em qualquer circunstância, é uma coisa fantástica.

    Não houvesse o FB, poucos teriam tomado conhecimento da aventura de Moussa, relatada por Ulisses. Quem naquele trem teria acesso a uma rádio, uma TV, um jornal? Talvez ninguém.

    Mas, em poucos minutos, milhares de pessoas puderam saber daquela bela história. E, depois, os grandes portais de informação também a noticiaram. Por fim, todos os que a acompanharam ficaram felizes: pela história, pelo compartilhamento e pelo desdobramento.

    Sim, o mundo fica melhor com as redes sociais.

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