Nem Rede, nem PSOL: herdeiro da massa falida do PT pode ser o PSB

às: 19:20 , atualizado em 13 de outubro às: 21:50
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márcio frança
Márcio França, em comício em Santos, no primeiro semestre: consolidando o PSB em redutos petistas

Nem Rede, nem PSOL. Constatado o colapso nacional do petismo após o primeiro turno, o partido que sai na frente para assumir a liderança da esquerda é o PSB do vice-governador paulista, Márcio França, e do prefeito de Recife, Geraldo Júlio.

Duas eleições neste segundo turno serão especialmente emblemáticas dessa nova realidade pós-PT: as de Recife e Mauá.

Nessas duas cidades, os candidatos do PSB disputarão a prefeitura diretamente contra candidatos petistas, e como favoritos.

Em Recife, Geraldo Júlio quase levou a reeleição no primeiro turno (49,3%) e volta às urnas, no dia 30, com larga vantagem contra o ex-prefeito João Paulo (que teve 23,7%).

Júlio é o herdeiro político do ex-governador e ex-aliado do PT Eduardo Campos; por sua vez, herdeiro de Miguel Arraes; por sua vez, um dos raros políticos respeitados por Lula.

Em Mauá, tradicional reduto petista na região do ABC, também há muita simbologia em jogo para os dois partidos.

Lá, o embate também é direto entre o PSB do deputado estadual Átila Jacomussi e o PT do atual prefeito Donisete Braga.

Jacomussi, ex-PC do B e aliado local do PT, foi seduzido a trocar de partido pelo vice-governador Márcio França (presidente estadual do PSB) e tem amplas condições de vencer no dia 30 – com apoio do PSDB.

Mauá é um exemplo cabal do sucesso da estratégia do governador Geraldo Alckmin de disputar a eleição com dois candidatos nas principais cidades do antigo “cinturão vermelho” da Grande São Paulo – um, ao centro (PSDB) e outro à esquerda (PSB).

Uma estratégia conveniente para ambos os lados: para o PSB, que se enraíza nos principais redutos petistas de São Paulo, e para Alckmin, que consolida uma aliança à esquerda de grande valia para seu projeto presidencial em 2018.

Nesta quarta (12), aliás, Márcio França foi bem claro sobre a importância da eleição em Mauá.

“O Átila é uma pessoa de esquerda, que faz rivalidade importante com o outro nome do PT e isso acaba tendo um pouco de repercussão nacional”, disse ele ao “Diário do Grande ABC”.

De fato, esta é a “rivalidade” que está em jogo  – e terá, sim, repercussão nacional.

Qual será o partido de esquerda que ocupará o espaço do PT?

Resposta: a se confirmarem as pesquisas eleitorais deste segundo turno, será o PSB – e em aliança com o PSDB.

Os números mostram isso. Embora tenha sofrido uma queda de 5,2% em relação a 2012, o PSB saiu do primeiro turno como o terceiro partido nacional mais votado em 2016, com 8.304.485 votos (era o quarto em 2012, com 8.760.546).

Ficou atrás apenas do PSDB (17.612.606) e PMDB (14.877.621).

Já o PT caiu do primeiro lugar em 2012 (17.448.801) para o quinto no último dia 3 (6.822.964). Um tombo de 60,9%, que o deixou atrás até do PSD de Gilberto Kassab.

Em número de prefeituras, o PSB também caiu em relação a 2012, de 441 para 414 (pode chegar a um máximo de 423 no segundo turno), ficando em quinto lugar.

Ainda assim, está bem à frente do PT, que desabou de 644 prefeituras em 2012 para 256 este ano (podendo, teoricamente, e só teoricamente, chegar a 263).

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