Ex-presidente recebeu R$ 30 milhões das empreiteiras do petrolão, diz MP

    às: 17:07 , atualizado em 04 de março às: 17:24
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    Da Redação

    As investigações do Ministério Público Federal apontam que o ex-presidente Lula recebeu, entre 2011 e 2014, cerca de R$ 30 milhões das empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras.

    Os trechos principais do relatório do MP foram divulgados nesta sexta-feira (4) pelo portal “O Antagonista”.

    Os depósitos foram feitos ao longo de 2011 e 2014 no Instituto Lula e na empresa LILS (a empresa de palestras do ex-presidente).

    No período 2011-2014, cerca de R$ 34 milhões foram repassados para o Instituto Lula e outros R$ 21 milhões para a LILS (sigla de Luis Inácio Lula da Silva) por várias empresas.

    Daquele total de R$ 56 milhões, cerca de R$ 30 milhões foram repassados diretamente pelas empreiteiras do escândalo do petrolão.

    Segundo o MP, o Instituto Lula recebeu cerca de R$ 21 milhões daquelas empresa, e a LILS, outros R$ 9 milhões.

    As empresas envolvidas são a Odebrecht, Camargo Correa, OAS, Queiroz Galvão, UTC e Andrade Gutierrez.

    O relatório da força-tarefa de procuradores e técnicos embasou a decisão do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, de decretar a condução coercitiva de Lula para depor à Polícia Federal, nesta sexta.

    A 24ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Aletheia, expediu 44 mandados judiciais e determinou 11 conduções coercitivas, entre elas a de Lula e a do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

    Leia os trechos do documentos do MP:

    – Documentos apreendidos indicam uma relação próxima de LULA com empreiteiros envolvidos no esquema de corrupção na PETROBRAS: apontam que estes se encontravam e viajavam com relativa frequência com o ex-Presidente; tinham “pautas” de assuntos com LULA; e organizaram, a pedido deste, reunião de que participaram, dentre outras, pessoas diretamente ligadas à lavagem de capitais oriundos do desvio de verbas da Estatal;

    – há contemporaneidade entre o período do mandato presidencial de LULA e a existência do esquema criminoso na PETROBRAS, sendo indiscutível a possibilidade de influência do Chefe do Poder Executivo Federal nas indicações de Diretores da sociedade de economia mista, de quem é controladora a UNIÃO;

    – entre 2011 e 2014, os maiores doadores de recursos para o INSTITUTO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA são exatamente os mesmos maiores contratantes de palestras junto à L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICAÇÕES LTDA., quais sejam: CAMARGO CORREA, ODEBRECHT, QUEIROZ GALVÃO, OAS e ANDRADE GUTIERREZ, todas envolvidas nas investigações levadas a cabo na Operação Lava Jato;

    – entre 2011 e 2014, o INSTITUTO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA recebeu R$ 34.940.522,15. Desse montante, R$ 20.740.000,00, ou seja, cerca de 60%, foram oriundos das construtoras CAMARGO CORREA, ODEBRECHT, QUEIROZ GALVÃO, OAS e ANDRADE GUTIERREZ, todas envolvidas nas investigações levadas a cabo na Operação Lava Jato;

    – entre 2011 e 2014, a L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICAÇÕES LTDA. recebeu R$ 21.080.216,67. Desse montante, R$ 9.920.898,56, ou seja, cerca de 47%, foram oriundos das construtoras CAMARGO CORREA, ODEBRECHT, QUEIROZ GALVÃO, OAS, UTC e ANDRADE GUTIERREZ, todas envolvidas nas investigações levadas a cabo na Operação Lava Jato;

    – assim, entre 2011 e 2014, juntos, o INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA e a L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICAÇÕES LTDA. receberam mais de R$ 55.000.000,00, sendo mais de R$ 30.000.000,00 de empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato;

    – entre 2011 e 2014, a L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICAÇÕES LTDA. distribuiu ao sócio LULA, a título de lucro, R$ 7.589.936,14, ou seja, 36% do total auferido pela entidade no período (destacando-se que a maior retirada, de R$ 5.670.270,72 aconteceu em 2014, ano da deflagração da fase ostensiva da Operação Lava Jato);

    – entre 2011 e 2014, sociedades empresariais ligadas a pessoas próximas do ex-Presidente da República, e a pessoas que ocuparam cargos/funções de destaque no Poder Executivo federal na época em que LULA governava o país foram destinatárias de recursos recebidos pelo INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA.

    – Destaque-se que a entidade que mais recebeu recursos foi a G4 ENTRETENIMENTO E TECNOLOGIA DIGITAL LTDA. (R$ 1.349.446,54 entre 2012 e 2014), empresa de que são sócios FABIO LUIS LULA DA SILVA, filho de LULA., FERNANDO BITTAR e KALIL BITTAR.

    – Outra empresa que recebeu recursos foi a FLEXBR TECNOLOGIA LTDA., que tem o mesmo endereço da G4, e cujos sócios são MARCOS CLAUDIO LULA DA SILVA, filho de LULA, SANDRO LUIS LULA DA SILVA, filho de LULA, e MARLENE ARAUJO LULA DA SILVA, nora de LULA. A FLEXBR também recebeu R$ 72.621,20 da L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICAÇÕES LTDA. entre 2013 e 2014;

    – LUIS CLAUDIO LULA DA SILVA, filho de LULA, recebeu entre 2011 e 2013, R$ 227.138,85 da L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICAÇÕES LTDA.;

    – JOSÉ DE FILIPPI JUNIOR, tesoureiro do projeto de reeleição do ex-presidente LULA, em 2006, e presidente do INSTITUTO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA entre 07/01/2011 e 24/10/2011, foi responsável por receber R$ 2,4 milhões desviados da PETROBRAS no intuito de favorecer o comitê financeiro da campanha de LULA do ano de 2006.

    – Além disso, JOSÉ DE FILIPPI JUNIOR recebeu, entre 2010 e 2014, propina destinada pela UTC ao PARTIDO DOS TRABALHADORES em decorrência dos contratos por ela celebrados com a PETROBRAS, especificamente o contrato firmado no COMPERJ. Parte dessa propina ele recebeu em 29/09/2011, ou seja, enquanto era presidente do instituto;

    – o reduzido quadro de empregados do INSTITUTO LUIZ INACIO LULA DA SILVA e da L.I.L.S. PALESTRAS, EVENTOS E PUBLICAÇÕES LTDA. indica a vinculação dos recursos transferidos pelas empreiteiras com a pessoa que melhor personifica as entidades: LULA;

    – a despeito de ostensivamente a OAS figurar como proprietária do apartamento 164-A do CONDOMÍNIO SOLARIS, há indícios de que os reais beneficiários da propriedade e da reforma do bem seriam LULA e sua família;

    – a despeito de ostensivamente JONAS LEITE SUASSUNA FILHO e FERNANDO BITTAR figurarem como proprietários de sítio em Atibaia, há elementos que denotam a possibilidade de ocultação patrimonial.

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