João Doria: o espetacular triunfo ideológico de um liberal

    às: 2:51 , atualizado em 03 de outubro às: 3:06
    815
    0

    Se João Doria tivesse apenas ido para o segundo turno em São Paulo, ainda que em segundo lugar, este já seria um grande resultado para ele e para o PSDB.

    A vitória espetacular no primeiro turno, porém, fez dele o maior fenômeno desta eleição e um dos mais espantosos da história paulista.

    Nada mau para um empresário que, por uma questão de estratégia eleitoral, diz não se considerar político, e sim um “gestor”, e que nunca disputara antes uma eleição.

    doria
    João Doria: o primeiro prefeito eleito de São Paulo a vencer no primeiro turno

    Pode-se ler o desempenho de Doria sob vários ângulos, mas um deles é especialmente significativo.

    Venceu o empresário que não tem medo de ser privatista e não tem vergonha de ser rico.

    Nesse sentido, foi uma formidável vitória ideológica: o triunfo de um liberal assumido e de uma agenda liberalizante para a maior cidade da América Latina.

    O efeito de sua proeza pode levar o oxigênio necessário para renovar o ar viciado do debate político.

    Doria abriu um novo capítulo na história política brasileira, só possível depois do espaço aberto pelo fracasso ideológico do petismo.

    Ao mesmo tempo – e, talvez, por causa dos atributos acima -, Doria foi o candidato que apresentou as propostas mais claras e o diagnóstico mais agudo dos problemas sociais de São Paulo.

    Não por acaso, ele deu prioridade total à saúde pública, em seu programa, e a uma solução de curto prazo para o déficit de cem mil vagas na rede de creches.

    E afirmou, com todas as letras, que enfrentará esses e outros problemas por meio de convênios e parcerias com organizações privadas e empresas.

    Como disse educadamente a Luiza Erundina no último debate da TV Globo, Doria tem ideias “muito diferentes” daquelas que dominaram a cena política brasileira desde que Lula foi eleito, em 2002.

    É sintomático que tenha sido acusado por Fernando Haddad de tentar “colocar São Paulo à venda” – como se o modelo estatizante e cleptocrata do PT pudesse ser defensável do ponto de vista dos interesses da maioria da população.

     

    SEM COMENTÁRIOS