Instituto Lula diz que operação é ‘agressão’

    às: 10:42 , atualizado em 08 de março às: 17:34
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    Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula

    O Instituto Lula divulgou nota afirmando que a operação que deteve o ex-presidente Lula nesta manhã em São Bernardo “é uma agressão ao Estado de Direito” e uma “afronta” ao Supremo Tribunal Federal.

    O Instituto presidido por Paulo Okamotto (que também teve de depor à PF nesta sexta, sob condução coercitiva) divulgou seu comunicado no final da manhã desta sexta (4).

    Surpresos num primeiro momento com a ação da PF e do Ministério Público que chegou a seu líder, o PT esboçou algumas reações.

    Numa página do PT nacional no Facebook intitulada “Lula Preso Político”, um texto convocou os petistas a reagir. “Não podemos deixar barato. Precisamos todos reagir. Agora!”.

    Em entrevista ao portal da revista “Veja”, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), disse que o ex-presidente “foi sequestrado” pela Polícia Federal.

    E acusou “a república fascista” de Curitiba pela ação, numa referência à força-tarefa do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e ao juiz Sérgio Moro, da 13º Vara da Justiça Federal do Paraná.

    Até agora, houve alguns tumultos envolvendo petistas na porta do prédio de Lula em São Bernardo, quando ele foi levado numa viatura da PF.

    No saguão do Aeroporto de Congonhas, onde Lula está depondo, também há tumulto.

    Leia a nota do Instituto Lula, divulgada na manhã desta sexta:

    A violência praticada hoje (4/3) contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao estado de direito que atinge toda sociedade brasileira.

    A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal.

    1) Nada justifica um mandado de condução coercitiva contra um ex-presidente que colabora com a Justiça, espontaneamente ou sempre que convidado.

    Nos últimos meses, Lula prestou informações e depoimentos em quatro inquéritos, inclusive no âmbito da Operação Lava Jato. Dezenas de testemunhas foram ouvidas sobre estes fatos alegados pela Força tarefa,  em depoimentos previamente marcados.

    Por que o ex-presidente Lula foi submetido ao constrangimento da condução coercitiva?

    2) Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras.

    A Lava Jato já recebeu da Receita Federal, oficialmente, todas as informações referentes a estas contas, que foram objeto de minuciosa autuação fiscal no ano passado.

    3) Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Lula, pois este sigilo já foi quebrado, compartilhado com o Ministério Público Federal e vazado ilegalmente para a imprensa, este sim um crime que não mereceu a devida atenção do Ministério Público.

    4) Nada justifica a invasão do Instituto Lula e da empresa LILS, a pretexto de obter informações sobre palestras do ex-presidente Lula, contratadas por 40 empresas do Brasil e de outros países, entre as quais a Infoglobo, que edita as publicações da Família Marinho (http://www.institutolula.org/as-palestras-de-lula-a-violacao-de-sigilo-bancario-do-ex-presidente-foi-um-ato-criminoso).

    Todas as informações referentes a estas palestras foram prestadas à Procuradoria da República do Distrito Federal e compartilhadas com a Lava Jato.

    Também neste caso, o Ministério Público nada fez em relação ao vazamento ilegal de informações sigilosas para a imprensa.

    5) Nada justifica levar o ex-presidente Lula a depor sobre um apartamento no Guarujá que não é nunca foi dele e sobre um sítio de amigos em Atibaia, onde ele passa seus dias de descanso.

    Além de esclarecer a situação do apartamento em nota pública – na qual chegou a expor sua declaração de bens – e em informações prestadas por escrito ao Ministério Público de São Paulo, o ex-presidente prestou esclarecimentos sobre o sítio de Atibaia em ação perante o Supremo Tribunal Federal, que também é de conhecimento público.

    6) A defesa do ex-presidente Lula peticionou ao STF para que decida o conflito de atribuições entre o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal (Força Tarefa), para apontar a quem cabe investigar os fatos, que são os mesmos.

    Solicitou também medida liminar suspendendo os procedimentos paralelos até que se decida a competência conforme a lei.

    Ao precipitar-se em ações invasivas e coercitivas nesta manhã, antes de uma decisão sobre estes pedidos, a chamada Força Tarefa cometeu grave afronta à mais alta Corte do País, afronta que se estende a todas as instituições republicanas.

    7) O único resultado da violência desencadeada hoje pela Força Tarefa é submeter o ex-presidente a um constrangimento público.

    Não é a credibilidade de Lula, mas da Operação Lava Jato que fica comprometida, quando seus dirigentes voltam-se para um alvo político sob os mais frágeis pretextos.

    O Instituto Lula reafirma que Lula jamais ocultou patrimônio ou recebeu vantagem indevida, antes, durante ou depois de governar o País.

    Jamais se envolveu direta ou indiretamente em qualquer ilegalidade, sejam as investigadas no âmbito da Lava Jato, sejam quaisquer outras.

    A violência praticada nesta manhã – injusta, injustificável, arbitrária e ilegal – será repudiada por todos os democratas, por todos os que têm fé nas instituições e do estado de direito, no Brasil e ao redor do mundo, pois Lula é uma personalidade internacional que dignifica o País, símbolo da paz, do combate à fome e da inclusão social.

    É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história. 

     

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