GUARULHOS: Guti faz história, vence 1º turno e acaba com 16 anos de domínio do PT

    às: 21:34 , atualizado em 03 de outubro às: 23:29
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    Gustavo Guti (esq.) e o candidato a vice-prefeito Alexandre Zeitune: fazendo história em Guarulhos

    O jovem vereador Gustavo Guti (PSB), de 31 anos, fez história na política de Guarulhos, neste domingo (2).

    Ele atropelou todas as pesquisas e venceu o primeiro turno na segunda maior cidade e o segundo colégio eleitoral do Estado de São Paulo (902. 810 eleitores), com 34,5% dos votos (208 mil).

    Disputará o segundo turno com o deputado federal Eli Corrêa, do DEM, que era o favorito até a véspera e ficou com 22,3%.

    FIM DA HEGEMONIA

    O resultado foi excepcional por vários motivos. O mais importante é que Guti acabou com a hegemonia de 16 anos seguidos do PT na cidade.

    Elói Pietá, o candidato petista, ex-prefeito de 2001 a 2008, amargou um humilhante terceiro lugar. Apenas 19,3%.

    Como prêmio consolação, sua mulher, Janete Pietá, ex-deputada federal, elegeu-se vereadora.

    O resultado de Guti não deixa de ser também uma importante – e rara  – vitória da Rede, o partido de Marina Silva, representado na chapa vitoriosa pelo advogado Alexandre Zeitune, candidato a vice-prefeito.

    Foi também, mais uma vez, uma vitória do vice-governador Márcio França, que convenceu o vereador a abandonar o inoperante PV para ingressar num PSB cada vez mais competitivo.

    Parece evidente que a máquina eleitoral do governador Geraldo Alckmin trabalhou em favor de Guti – e não em apoio ao candidato oficial do PSDB, o eterno Carlos Roberto.

    Depois de quatro candidaturas a prefeito, Carlos Roberto também foi humilhado pelos eleitores.

    Ficou em sexto lugar, com apenas 4,4%, atrás do deputado estadual Jorge Wilson (PRB), com 10,9%, e até de Fausto Martello (PSD), com 5,4%.

    É o fim da geração que dominou a cena política da cidade por 20 anos.

    Além de Elói (que nunca foi o candidato preferido da cúpula do PT), saem de cena Carlos Roberto, Jovino Cândido (vice de Martello), Alan Neto (que não se candidatou) e Néfi Tales Júnior, filho de um ex-prefeito.

    Além de Jorge Tadeu, que é oficialmente deputado federal por Guarulhos, mas tem sua base eleitoral entre os evangélicos paulistanos.

    Farto do PT, ficou claro que o eleitorado de Guarulhos quis renovar também a oposição.

    Daí ter colocado no segundo turno os dois mais jovens candidatos – Guti e Eli Corrêa.

    É sintomático que Eli Corrêa tenha perdido fôlego na reta final, apesar da liderança em todas as pesquisas e mesmo na percepção dos adversários.

    Filho do radialista Eli Corrêa, o deputado federal do DEM parece ter sido punido pelo sentimento bairrista do eleitor de Guarulhos, que desconfiou de um candidato não identificado com o dia a dia da cidade.

    2º TURNO EM ABERTO

    Mas a vitória expressiva no primeiro turno não é garantia de vitória final para Guti.

    Isto porque os realinhamentos políticos ficarão inteiramente abertos, agora que o PT está fora do segundo turno.

    Fica desfeito o pacto anti-PT que a oposição havia combinado antes do início da campanha, quando ainda parecia óbvio que Elói Pietá seria o adversário comum a ser enfrentado.

    E agora? Para que lado irão os votos de Jorge Wilson, o candidato de Celso Russomano? E qual será a reação de Carlos Roberto à “traição” do PSDB palaciano?

    E os votos petistas? Dificilmente o partido do atual prefeito Sebastião Almeida apoiará Guti – e sem dúvida rejeitará qualquer aproximação com o DEM de Eli Corrêa (apesar da adesão do PCdoB já antes da campanha).

    Mas poderá “liberar” o eleitorado petista para votar com Guti – esta operação poderá contar com a costura do vice de sua chapa, Alexandre Zeitune, que dialoga bem com os petistas.

    O próprio governador Geraldo Alckmin terá alguma dificuldade de apoiar abertamente o vereador do PSB.

    Talvez não queira, neste momento, comprar briga com um deputado federal em ascensão de um partido aliado ao PSDB no plano nacional.

    O mais provável é que o governador adote a neutralidade no segundo turno e libere o vice-governador Márcio França para apoiar Guti, sob o argumento de que este é o presidente estadual do PSB.

    Enfim, Guti ganhou brilhantemente, mas não sabe ainda se vai levar.

    Quanto ao PT, terá de voltar à velha prancha de projetos e tentar se reinventar de alto a baixo – se a Lava Jato deixar.

     

     

    1 Comentário

    1. Guti venceu todas as alianças desta cidade sendo assim ele vence o segundo turno sem ter que fazer alianças com estes oportunistas que estão encrostados a nossa cidade….