Guarucoop lidera guerra nacional dos táxis contra o Uber

às: 16:16 , atualizado em 14 de setembro às: 14:30
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No dia 9, centenas de taxistas de Guarulhos saíram do Aeroporto e cercaram a Câmara Municipal de São Paulo

A guerra declarada pelos taxistas de todo o Brasil contra as novas tecnologias de comunicação, personificadas no aplicativo Uber, já tem o seu general.

É o vereador Edmilson Americano (PHS), da Câmara de Guarulhos, presidente da Guarucoop.

Nesta quarta-feira (9), as tropas de Americano mostraram, mais uma vez, seu amplo poder de convencimento sobre os políticos.

A cooperativa que detém o monopólio do atendimento no Aeroporto de Guarulhos liderou a gigantesca passeata de carros de taxistas que entupiu o centro de São Paulo e cercou a Câmara Municipal.

O objetivo do cerco foi alcançado com facilidade: o projeto do vereador paulistano Adilson Amadeu (PTB), que proíbe o Uber na maior cidade do País, foi aprovado por 43 votos, contra apenas três e cinco abstenções.

Na quarta-feira, só da Guarucoop, saíram 300 veículos e 500 taxistas.

Eles partiram do Aeroporto de Guarulhos, seguiram pela Via Dutra e bloquearam toda a região do Viaduto Jacareí, onde fica a Câmara paulistana, a poucos metros da Praça da Sé.

Mas não foi só isso. A Guarucoop também recepcionou mais 80 veículos e 200 taxistas procedentes de várias cidades brasileiras, que se incorporaram ao protesto.

Motoristas vindos do Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Pouso Alegre (MG) e Brasília puderam pernoitar seus carros no amplo pátio da Guarucoop, nos fundos do Aeroporto.

“Todos foram recepcionados em Guarulhos com café da manhã e muita cordialidade”, Americano fez questão de dizer.

As tropas do vereador guarulhense não se limitaram a dar cobertura logística aos reforços de outros Estados.

No dia do protesto, dezenas de motoristas de Guarulhos, devidamente uniformizados com jalecos azuis, comandavam a pressão da categoria. Carros de som também foram providenciados.

Americano não lidera apenas a maior cooperativa de taxistas do Brasil. É também o presidente da Abracomtaxi (Associação Brasileira das Associações e Cooperativas de Motoristas de Táxi).

De fato, ele é hoje um líder nacional de sua categoria e um dos senhores da guerra contra os motoristas particulares cadastrados no Uber, que ele chama de ”clandestinos”.

Ciente de seu poder, Americano fala grosso sobre o futuro dos aplicativos de transporte pela internet. “Não tenho dúvidas de que o prefeito Fernando Haddad sancionará a lei proibindo esse transporte clandestino”.

O Uber é um aplicativo que permite o usuário cadastrado numa rede na internet contratar um motorista particular para se deslocar em sua cidade.

É um desdobramento dos vários aplicativos de caronas gratuitas que existem na web. A diferença é que o motorista contatado pelo Uber combina um preço com o usuário e recebe pelo serviço.

Os taxistas convencionais veem nisso uma concorrência indevida de motoristas “clandestinos”.

 

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