Crise aumenta, e dólar já passa de R$ 3,80

    às: 11:50 , atualizado em 08 de setembro às: 17:01
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    Da Redação e da Agência Brasil
    orçamento
    Joaquim Levi entrega ao senador Renan Calheiros o orçamento de 2016 com déficit: nunca antes neste país

    O dólar voltou a disparar na manhã desta quinta-feira (3), abrindo o pregão cotado a R$ 3,80. Às 1oh40, ele já chegava a R$ 3,81.

    O dólar turismo estava ainda mais caro, sendo cotado a R$ 4,21 nesta quinta-feira.

    O mercado de câmbio mostra claramente que está em curso no Brasil uma maxidesvalorização do real.

    Em 2015, o real já se desvalorizou 41,4% em relação ao dólar; em 12 meses até agosto, mais de 70%.

    A insegurança voltou a dominar o mercado no dia seguinte à decisão do Banco Central de interromper o ciclo de altas seguidas das taxas de juros.

    Na quarta-feira (2), o Comitê de Política Monetária do BC decidiu por unanimidade manter a Selic (taxa básica de juros da economia) em 14,25% ao ano.

    O BC confirmou as previsões do mercado e suspendeu o aperto monetário, após sete altas seguidas, diante de um cenário de aprofundamento da recessão.

    Na última reunião, em agosto, o Copom elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, fazendo-a retornar ao nível de outubro de 2006.

    O Copom já havia indicado, em comunicado, que a taxa básica de juros ficaria inalterada daqui para a frente.

    “O comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016”, diz a nota do BC.

    A meta da inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5%, mas a estimativa do mercado para este ano é que ultrapasse 9% – portanto, mais do que o dobro da meta.

    A incerteza no mercado de câmbio reflete a insegurança dos investidores sobre o futuro da economia.

    O cenário ficou ainda pior a partir do início da semana, quando o governo enviou ao Congresso uma proposta de orçamento para 2016, prevendo um déficit primário de R$ 30 bilhões.

    É a primeira vez na história econômica brasileira que o governo reconhece oficialmente, em orçamento, que não tem receitas para cobrir suas despesas – ou seja, que está quebrado.

    O reconhecimento oficial de que não consegue controlar gastos ameaça o grau de investimento do país perante as agências internacionais de classificação de risco.

    Os investidores também estão prevendo que o ministro da Fazenda Joaquim Levi – cuja missão era justamente controlar os gastos públicos – esteja com seus dias contados no governo.

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