Dólar a R$ 4,05 bate todos os recordes; empresas perderam US$ 1 tri sob Dilma

    às: 10:06 , atualizado em 22 de setembro às: 22:11
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    Da Redação
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    Ninguém segura o dólar: recorde nesta terça-feira e mais de 50% de aumento só este ano

    O dólar fechou o pregão desta terça (22) ultrapassando a casa simbólica dos R$ 4 e batendo um novo recorde de alta. Terminou o dia vendido a R$ 4,05.

    É a maior cotação desde o lançamento do real, em 1994, superando as máximas anteriores, de R$ 3,99, no dia 10 de outubro de 2003, e de R$ 3,98, na última segunda-feira (21).

    Nas casas de câmbio, o dólar paralelo está muito mais alto. Passou dos R$ 4,50 nesta terça.

    A disparada da moeda americana, que já fez o real se desvalorizar mais de 50% só este ano, reflete a insegurança crescente do mercado com os rumos da economia brasileira.

    Mas reflete, principalmente, a preocupação com a atual crise política, que pode custar o mandato da presidente Dilma Rousseff.

    DESTRUIÇÃO

    Segundo a consultoria Empiricus, do ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartzman, o governo Dilma é responsável pela maior destruição de valor da história econômica do Brasil.

    A consultoria comparou o preço das ações das empresas brasileiras na Bolsa de Valores de São Paulo durante o mandato da atual presidente.

    No dia 1º de janeiro de 2011, primeiro dia do primeiro mandato de Dilma, o valor das empresas brasileiras listadas na BM&F/Bovespa era de US$ 1,531 trilhão.

    Hoje, elas não passam de US$ 515 bilhões – US$ 1 trilhão a menos, “que simplesmente se evaporou do mercado brasileiro”, segundo a consultoria.

    No mesmo período, acrescenta a Empiricus, o dólar foi de R$ 1,66 (1º de janeiro de 2011) para R$ 4,05 nesta terça-feira (22).

    “É uma destruição de valor sem precedentes, tanto para as empresas brasileiras quanto para a moeda nacional”, concluiu.

    ROMBO

    O motivo imediato para a nova disparada do dólar desta semana é a incerteza do governo de que conseguirá manter os vetos da presidente às várias “bondades” fiscais aprovadas pelo Congresso nas últimas semanas.

    O governo tenta adiar a sessão de apreciação dos vetos, marcada para esta terça no Congresso (Câmara dos Deputados e Senado), pois teme ser derrotado mais uma vez.

    Segundo o ministro das Comunicações Ricardo Berzoini  – na prática, o coordenador político do governo – , o preço fiscal da derrubada dos vetos seria um rombo de R$ 128 bilhões, em quatro anos, nas contas públicas.

    Ele apresentou esses números numa reunião com líderes de 11 partidos da base aliada, na segunda-feira, mas o governo ainda não tem certeza de que conseguirá ao menos adiar a sessão.

    “Se der quórum, a gente corre um risco sério de começar uma espécie de Grécia aqui no Brasil”, disse o deputado federal Sílvio Costa, líder do PSC, um dos aliados do governo.

    Uma nova derrota tornaria quase inevitável que outras agências internacionais de classificação de riscos, como a Fitch e a Moody’s, seguissem a Standard& Poor’s e também rebaixassem o crédito brasileiro para “grau especulativo”.

    A consequência seria o aprofundamento da crise econômica e o reconhecimento da incapacidade do governo de controlar minimamente a agenda política.

    A sessão conjunta do Congresso estava marcada, em princípio, para 19h desta terça, mas o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aliado do governo, já admitia adiá-la.

    PROJETOS

    Veja alguns dos projetos aprovados pelos parlamentares e vetados pela presidente:

    -Reajuste dos salários dos servidores do Judiciário em até 78,56% (PL 28/15), aprovado em junho, coim impacto fiscal de R$ 36 bilhões, segundo o Ministério do Planejamento ;

    -Isenção do PIS/Cofins para o óleo diesel, com impacto fiscal de R$ 64,6 bilhões em quatro anos, segundo a Receita Federal;

    -Fim do Fator Previdenciário e adoção de uma regra fixa para o reajuste das aposentadorias, com impacto fiscal de até R$ 1,1 trilhão até 2050; o governo apresentou uma alternativa cujo impacto seria menor, de R$ 800 bilhões;

    -Dedução de Imposto de Renda para professores na compra de livros, com impacto fiscal de R$ 16 bilhões até 2019.

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