Crédito internacional do Brasil vira ‘lixo’

    às: 19:56 , atualizado em 11 de setembro às: 16:25
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    Da Redação
    dilma
    Dilma Rousseff com Aloizio Mercadante (esq.): atestado de fracasso da Nova Matriz Econômica do governo petista

    A agência de classificação de riscos Standard&Poor’s (S&P) anunciou no final da tarde desta quarta (9) que rebaixou para “lixo” (junk) a nota de crédito do Brasil.

    A nota do País, que era BBB-(grau de investimento), passou para BB+ (grau especulativo), com viés negativo – ou seja, poderá cair ainda mais em futuro próximo.

    Com o rebaixamento, o Brasil perde o selo de bom pagador e a classificação de economia segura para investimentos internacionais.

    As consequências da decisão são desastrosas para a credibilidade do atual governo e terão repercussões no cotidiano da população, pois dificultarão ainda mais a recuperação da economia.

    De imediato, o rebaixamento da nota de crédito reduz a capacidade do Brasil de atrair investidores, tanto para obras de infraestrutura quanto para aplicações na Bolsa de Valores (Bovespa).

    Ele também aumenta o chamado “risco-país”, ou seja, o adicional de juros exigidos pelos emprestadores para as empresa brasileiras e o próprio governo captarem recursos no exterior.

    A S&P é uma das mais importantes agências internacionais de classificação de riscos. Foi a primeira a rebaixar o Brasil para “grau especulativo”.

    O país perde, assim, um conceito de credibilidade econômica duramente conquistado em abril de 2008, já sob o governo Lula, que manteve (até aquele ano) a política econômica herdada do governo anterior.

    A valorização da nota de crédito soberano brasileiro ocorreu depois que o Plano Real (1994) estabilizou a inflação e a Lei de Responsabilidade Fiscal (2001), no governo FHC, consolidou um longo processo de saneamento das contas públicas.

    A decisão da S&P desta quarta-feira não era surpresa, embora os analistas esperassem que demorasse mais para ser anunciada.

    Outras agências internacionais semelhantes, como a Ficht e a Moody’s já havia rebaixado suas respectivas notas para a economia brasileira, mas sem chegar ao “grau especulativo”, o que deverá ocorrer nas próximas avaliações.

    O rebaixamento atesta o fracasso retumbante da política econômica petista – a chamada Nova Matriz Econômica, baseada em gastos públicos crescentes, subsídios para empresas e para o crédito ao consumidor e forte intervenção estatal na economia.

    Esta política começou a ser adotada no final do segundo mandato do ex-presidente Lula, entre 2009 e 2010, e foi levada às últimas consequências no primeiro mandato de Dilma Rousseff.

    Do ponto de vista da política imediata, o rebaixamento representa uma derrota pessoal para o ministro da Fazenda Joaquim Levi, que aparentemente nada mais tem a fazer no governo.

    Ele assumiu o cargo, em janeiro, exatamente com a missão de tentar evitar o rebaixamento da nota de crédito do País.

    Seu programa de austeridade fiscal, no entanto, não conseguiu ser implementado no Congresso e passou a ser boicotado dentro do próprio governo, pelos ministros “desenvolvimentistas” Aloizio Mercadante e Nelson Barbosa.

    Sintomaticamente, a nota da S&P foi divulgada apenas dez dias depois que o governo enviou ao Congresso uma proposta de orçamento para 2016, na qual, pela primeira vez na história recente, admitia um déficit de R$ 30,5 bilhões.

    Para a maioria dos analistas e também para boa parte dos políticos do Congresso, essa inusitada decisão do governo, longe de significar a alegada “transparência” fiscal, assinalou o reconhecimento oficial da falência das contas públicas brasileiras.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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