‘Contra a ditadura da propina’, oposição reapresenta pedido de impeachment

    às: 16:57 , atualizado em 17 de setembro às: 17:32
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    Da Redação e da Agência Brasil
    hélio bicudo
    Hélio Bicudo: ao 93 anos, fundador do PT e veterano defensor dos direitos humanos pede o afastamento de Dilma

    O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu nesta quinta (17) uma nova versão do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff redigido originariamente pelo advogado Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT.

    O novo texto foi entregue pelo jurista Miguel Reale Júnior e pela advogada Maria Lúcia Bicudo, filha de Hélio, que tem 93 anos e não compareceu ao evento em Brasília.

    “O que fundamentalmente nos une, Bicudo e eu, é que somos lutadores antigos em prol dos direitos humanos. Lutamos contra a ditadura dos fuzis e agora estamos juntos para lutar contra a ditadura da propina”, discursou Reale Júnior.

    O pedido inicial tinha sido apresentado à Câmara no dia 1º de setembro e devolvido poucos dias depois por Eduardo Cunha, que pediu que o autor fizesse alguns ajustes formais no documento.

    Nesse meio tempo, Bicudo aderiu à campanha pelo impeachment, lançada pelos partidos de oposição no início do mês, e concordou em fazer algumas mudanças no texto.

    A campanha incluiu o lançamento de um abaixo-assinado online, que já tinha quase um milhão de adesões no final da tarde desta quinta (aqui).

    Reale Júnior – jurista e advogado ligado ao PSDB -acrescentou outros argumentos a favor do impeachment e subscreveu o pedido. A entrega do texto com os complementos, portanto, virou um ato conjunto.

    Um dos acréscimos foi a menção a créditos extras aprovados em 2014 por Dilma, sem autorização do Congresso, que Reale Júnior considera irregulares.

    “Há problemas gravíssimos de decretos editados sem autorização da Câmara, relativos a créditos suplementares”, disse o ex-ministro da Justiça do governo FHC.

    Maria Lúcia Bicudo defendeu o impeachment. Disse que é “o primeiro passo” para a reconstrução dos valores do País.

    “Precisamos deixar de lado a corrupção e a mentira e caminhar para o novo. Temos de abrir o caminho para os jovens, para que este Brasil seja digno e íntegro”, afirmou.

    A presença de Maria Lúcia no ato contrasta com a atitude dos outros filhos de Hélio Bicudo, que se opuseram ao pedido de impeachment, até com insultos ao pai.

    Um deles, José Eduardo, chegou a escrever no Facebook:”É triste ver uma pessoa que possuía um patrimônio político e uma história de vida digna juntar-se à direita mais sórdida do nosso País para fazer um papel no mínimo ridículo”.

    A entrega do documento foi acompanhada por líderes da oposição, entre eles Carlos Sampaio (PSDB-SP), Mendonça Filho (DEM-BA) e Paulinho da Força (SD-SP).

    O presidente da Câmara não deu prazo para dar seguimento ao pedido. Ele poderá arquivá-lo ou aceitá-lo, iniciando o processo de impeachment. Poderá também submeter a decisão ao plenário.

    Este é o 14º pedido de impeachment apresentado à Câmara. Cinco deles já foram arquivados. O Palácio do Planalto informou que não vai comentar o assunto.

    A campanha da oposição pelo impeachment incluiu o lançamento de um abaixo-assinado online, que já tem quase um milhão de adesões.

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