Com vitória revolucionária, Guti encerra ciclo de 16 anos de petismo em Guarulhos

    às: 21:49 , atualizado em 31 de outubro às: 11:21
    867
    0

     

    Por qualquer ângulo que se observe, a vitória do vereador Gustavo Guti (PSB) em Guarulhos, neste domingo (30), foi uma revolução na cidade que abriga o segundo colégio eleitoral do Estado (902.81 eleitores) e uma população de 1,3 milhão de habitantes.

    Guti esmagou o deputado federal Eli Corrêa Filho (DEM) por 83,5% a 16,5%, depois de ter vencido o primeiro turno por 34% a 22%.

    Ou seja: o deputado e filho do radialista Eli Corrêa teve menos votos no segundo turno do que no primeiro.

    guti_vereador_FB
    Gustavo Henric da Costa, o Guti: aos 31 anos, prefeito eleito de uma cidade de 1,3 milhão de habitantes

    Guti encerra um ciclo inédito de 16 anos seguidos de administrações petistas na segunda maior cidade paulista, após dois mandatos de Elói Pietá e dois de Sebastião Almeida.

    E impõe uma renovação sem precedentes à política municipal, ao derrotar três gerações de tradicionais caciques da cidade.

    No curso da eleição, Guti tirou do páreo o ex-deputado federal Carlos Roberto, quatro vezes candidato a prefeito pelo PSDB; ultrapassou Elói Pietá, a figura mais carismática do PT de  Guarulhos; venceu fácil o deputado estadual Jorge Wilson (PRB), o candidato de Celso Russomano; e derrotou Fausto Martello (PSD), nome ainda de ressonância na política local.

    O jovem vereador de 31 anos venceu porque, como nenhum outro candidato, encarnou o impulso de renovação política e de oposição ao longo ciclo petista, que termina com a cidade financeiramente quebrada.

    Embora Guti tivesse feito parte da base de apoio do PT quando era do PMDB, no começo do primeiro mandato de Sebastião Almeida (2009-2012), rapidamente virou-se para a oposição.

    Integrou a diminuta bancada de vereadores que, nos últimos anos, combateu a hegemonia petista na cidade, ao lado do PSDB.

    Seu perfil, portanto, é bem diferente do de Eli Corrêa Filho e do seu partido, o DEM, cujos vereadores na Câmara em geral ficaram em cima do muro, ou claramente fecharam com a gestão petista.

    Outro fator que pesou no comportamento do eleitorado foi a percepção de que o deputado nunca participou ativamente da vida política da cidade.

    Assim como o deputado federal Jorge Tadeu, também do DEM, Eli Filho tem seu eleitorado próprio no Estado. No caso, evangélicos e/ou fãs do sucesso radiofônico do pai, que o dispensam do corpo a corpo diário com os eleitores da cidade.

    Essa distância foi mortal para conquistar um eleitorado desconfiado de “forasteiros”. Guti, ao contrário, faz parte de uma família com fortes raízes na política local.

    VICE

    Sua vitória também deve ser creditada ao vice-prefeito de sua chapa, o advogado Alexandre Zeitune, da Rede.

    Embora também jovem, Zeitune conferiu uma aura de maturidade à candidatura de Guti, graças a seu bom trânsito entre empresários e “formadores de opinião” na cidade.

    De fato, a química entre ambos foi especialmente bem-sucedida.

    Zeitune é uma liderança conhecida no mundo econômico de Guarulhos, por sua atuação na Associação Comercial e Empresarial, onde já se candidatou a presidente.

    É também o principal líder da Rede de Marina Silva em Guarulhos e um dos mais importantes da legenda em São Paulo.

    E embora a Rede tenha sido um dos grandes derrotados nesta eleição em nível nacional, o processo de organização do partido em Guarulhos assegurou a Zeitune – e, portanto, a Guti – um capital de mobilização que se mostrou decisivo neste domingo.

    O sucesso de Guti, por fim, é a vitória do vice-governador Márcio França, que convenceu o vereador a trocar o anódino Partido Verde pelo PSB.

    É, portanto, a vitória do grupo político do governador Geraldo Alckmin. Mais uma.

     

    SEM COMENTÁRIOS