Câmara cassa Eduardo Cunha. O que isto significa? Quase nada

às: 1:21 , atualizado em 13 de setembro às: 10:57
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Brasília - O plenário da Câmara dos Deputados aprovou por 450 a favor, 10 contra e 9 abstenções a cassação do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) perde o mandato, depois de nove meses de manobras

Como previsto, a Câmara dos Deputados cassou o mandato de Eduardo Cunha na noite desta segunda-feira, 12.

O resultado foi acachapante: 450 votos a favor (eram necessários 257), dez contra, nove abstenções e 42 ausências.

É o fim da breve, mas fulgurante carreira política do ex-presidente da Câmara.

O PT e seus aliados fizeram uma grande comemoração, como se o fim de Cunha fosse uma revanche adequada ao fim do governo petista. Nada mais ilusório.

Hoje, passado o impeachment, esta cassação quase não terá efeito político prático.

Nem mesmo sua eventual delação premiada perante a Justiça tem potencial de causar mais estrago (por exemplo, ao governo Temer) do que as de outras personagens da Lava Jato.

Cunha foi um presidente de Câmara dinâmico e eficaz, mas seu poder foi convenientemente inflacionado pelos próprios adversários.

Estes viram nele o bode expiatório ideal para dar verossimilhança à farsa do “golpe” e tentar barrar o impeachment.

Como isso não foi possível, o agora ex-deputado viu-se reduzido à sua verdadeira dimensão.

Ele é apenas mais um parlamentar derrotado pela própria ambição, como André Vargas (PT-PR) e Demóstenes Torres (DEM-MT).

Não representa um movimento, uma tendência ou um regime.

Não representa nem mesmo um pedaço de seu partido, o PMDB, que, como se viu pelos números, o abandonou.

Interpretar o seu fim como o reverso do colapso do petismo, como querem os petistas, é completamente descabido.

O impeachment de Dilma foi a derrota política, econômica, ética e, acima de tudo, ideológica do mais abusado projeto de poder da história brasileira.

A cassação de Cunha não passou da punição cabível a um homem solitário, apanhado com a boca na botija e mentindo a seus pares.

De um ponto de vista histórico, não pode nem mesmo se comparar a outras de consequências políticas muito mais profundas, como a de José Dirceu, em 2005, ou a de Delcídio do Amaral, em maio último.

Ele é apenas o prêmio de consolação que restou ao PT depois do impeachment.

Página virada.

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