Aliança de Alckmin com PSB varre o ‘cinturão vermelho’ da Grande São Paulo

às: 23:54 , atualizado em 03 de outubro às: 1:53
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alckmin corredor
Alckmin aderna para a esquerda, com o PSB, e pavimenta sua candidatura presidencial em 2018

A estratégia do governador Geraldo Alckmin de aliar-se ao PSB do vice-governador Márcio França (e do candidato presidencial Eduardo Campos, morto em 2014) destruiu o “cinturão vermelho” do PT na Grande São Paulo e na chamada macrorregião metropolitana.

Os resultados não deixam margem a dúvida. Afora a espetacular vitória de João Dória na cidade de São Paulo, candidatos apoiados pelo Palácio dos Bandeirantes venceram nas principais cidades do Estado.

E mesmo onde haverá segundo turno com candidatos do PT, como no caso de Santo André e Mauá, a correlação de forças põe os adversários do governador praticamente em xeque-mate diante dos aliados do palácio.

Santo André:

Paulinho Serra, vereador do PSDB, venceu o primeiro turno por 35,85%. Disputará o segundo turno com o atual prefeito do PT, Carlos Grana, que teve 20,28%.

Mas Paulo Serra dificilmente deixará de ter o apoio do terceiro colocado, o ex-prefeito Aidan Ravin, do PSB, aliado do vice-governador, que teve 17,04%.

Também poderá ter o apoio de Ailton Lima (PMDB), que teve 14,98%.

A esquerda disponível para apoiar Grana teoricamente resume-se aos 5,3% de Raimundo Salles (PPS) e aos 3,33% de Ricardo Alvarez (PSOL).

Só que o PPS também apoia o governador e é, no plano estadual e nacional, um dos maiores críticos do PT dentro da esquerda. Xeque-mate.

São Bernardo:

O PT do prefeito Luiz Marinho foi varrido do  mapa eleitoral de São Bernardo.

O deputado estadual Orlando Morando (PSDB) venceu o primeiro turno por 45,07%.

Ele disputará o segundo turno com o deputado federal Alex Manente (PPS), que ficou com 28,41%.

Tarcísio Cecoli, candidato petista, amargou um terceiro lugar com 22,57%.

São Caetano:

O ex-prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) venceu a eleição com 34,34% dos votos (em São Caetano não há segundo turno).

O atual prefeito Paulo Pinheiro (PMDB) ficou com 30,71%.

O PT,que nunca foi expressivo nesta cidade de 128.453 eleitores, foi simplesmente escorraçado.

Seu candidato, Marcio Della Bella, ficou em penúltimo lugar com 0,96% dos votos. Ou seja, 898 eleitores…

Mauá:

O deputado estadual Átila Jacomussi, que trocou o PC do B e a aliança com o PT pelo PSB do vice-governador paulista, venceu fácil o primeiro turno com 46,73%.

Disputará o segundo turno com o atual prefeito petista Donisete Braga (22,9%), em condições vantajosas.

Isto porque o terceiro colocado, o ex-prefeito Clóvis Volpi, do PSDB, praticamente empatou com Donisete, com 20,23%.

Não há chance de Volpi apoiar o atual prefeito. Também aqui, xeque-mate para o PT.

Ribeirão Pires:

Kiko Teixeira (PSB) venceu, em turno único, a eleição nesta pequena cidade do Grande ABC de 90 mil eleitores.

Ex-prefeito da cidade vizinha de Rio Grande da Serra, Kiko teve 30,31% dos votos. Dedé da Folha (PPS) ficou com 26,34%.

Também em Ribeirão Pires, o PT foi varrido do mapa: Renato Foresto teve 7,69% dos votos.

Diadema:

O prefeito Lauro Michels, do PV, está perto de reeleger-se em Diadema. Venceu o primeiro turno, neste domingo (2), por 48,1%.

Disputará o segundo turno com o vereador Wágner Feitoza, o Vaguinho, que teve 21,85%.

O vereador Manoel Eduardo Marinho, o Maninho, candidato do PT, ficou longe do segundo turno. Teve apenas 16,37%.

Osasco:

Na cidade que tem o quinto colégio eleitoral da Grande São Paulo (566.083 eleitores), o PT amargou um humilhante penúltimo lugar com o deputado federal Valmir Prascidelli, que ficou com 3,54% dos votos.

Disputarão o segundo turno o vereador Rogério Lins (PTN), que ficou com 39,44% neste domingo (2), e o atual prefeito Jorge Lapa (PDT), que ficou com 38,55%.

A derrota desastrosa de Valmir Prascidelli é especialmente simbólica, pois foi o candidato do presidente do PT-SP, o ex-prefeito de Osasco Emidio de Souza, e de todo o alto-comando do PT nacional.

Jorge Lapas saboreia o gosto da vingança. Ele foi eleito prefeito pelo PT em 2012 (depois da impugnação da candidatura de Celso Giglio, do PSDB), mas perdeu o apoio do comando partidário.

Mudou-se em março deste ano para o PDT e concorreu à reeleição.

Seu desempenho mostra que terá chances, especialmente se conseguir o apoio de seus ex-aliados petistas.

Já Rogério Lins deverá novamente beneficiar-se do apoio dos eleitores do PSDB, que mais uma vez viram a candidatura do ex-prefeito Celso Giglio ser cassada pelo TRE às vésperas da eleição.

Mogi das Cruzes:

Em Mogi das Cruzes, o candidato do PSDB Marcus Melo venceu fácil, no primeiro turno, por 64,34%.

O médico e vereador Luiz Carlos Gondim (SD) ficou com 32,03%. Miguel Bombeiro (PMN) 3,63%.

Os demais partidos de Mogi não lançaram candidatos.

Guarulhos:

Vem de Guarulhos o resultado eleitoral mais espetacular da Grande São Paulo – afora, é claro, a vitória de João Dória na capital.

Gustavo Guti, jovem vereador do PSB (ex-PV), venceu o primeiro turno de forma surpreendente, por 34,54%.

Disputará o segundo turno com o deputado federal Eli Corrêa (DEM), que ficou 22,38%.

O resultado acaba com os 16 anos seguidos de hegemonia do PT na segunda cidade do Estado.

O ex-prefeito Elói Pietá, esperança do PT, de chegar ao segundo turno, também não resistiu à onda antipetista. Ficou com apenas 19,32%.

Elói foi prefeito de 2001 a 2008, seguido por mais dois mandatos de Sebastião Almeida, também do PT.

Ambos garantiram o melhor resultado eleitoral do PT em grandes cidades em todo o Brasil.

Guarulhos tem nada menos do que 1,3 milhão de habitantes e 902.810 eleitores.

Ironicamente, o PT perde em Guarulhos até para o DEM de Eli Corrêa.

O DEM é aquele partido que  deveria ser “extirpado” da política brasileira, segundo disse o ex-presidente Lula num comício em Joinville em 2010.

Mas depois da Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff é o DEM que assiste ao desmanche do PT.

OUTRAS CIDADES

Fora da Grande São Paulo, o resultado também é acachapante a favor dos aliados de Alckmin.

Em Campinas, Jonas Donizette (PSB) reelegeu-se facilmente no primeiro turno com 65,43%, seguido por Artur Orsi (PSD), com 15,43%.

Marcio Pochmann, candidato do PT, ficou em terceiro com 15,04%.

Em São José dos Campos, o administrador de empresa Felicio Ramuth, candidato do PSDB, esmagou o atual prefeito Carlinhos Almeida, do PT, vencendo a eleição já no primeiro turno por 62,22% contra 21,63%.

A vitória de Ramuth lembra a de João Dória em São Paulo. Foi a primeira eleição disputada por um executivo sem tradição política.

Suas únicas experiências anteriores no serviço público foram como presidente da empresa municipal de planejamento urbano (Urbam) e como secretário de Transportes e, depois, Comunicação, de governos tucanos anteriores.

Em Santos, o atual prefeito Paulo Alexandre Barbosa, do PSDB, reelegeu-se facilmente no primeiro turno, com um resultado quase “soviético” de 77,74% dos votos.

Esmagou a ex-presidente da UNE, Carine Vitral, do PC do B, uma autêntica ex-soviética apoiada pela esquerda da cidade. Carine teve apenas 6,61%.

O PT não lançou candidato em Santos este ano, preferindo apoiar Carine.

 

 

 

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