Alckmin veta PT na Paulista no dia 13 e garante ato contra Dilma

    às: 17:25 , atualizado em 10 de março às: 10:53
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    Da Redação
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    Alckmin: “é dever do poder público garantir a tranquilidade à manifestação da população”

    O governador Geraldo Alckmin disse que a Polícia Militar não permitirá que militantes do PT se manifestem na Avenida Paulista no próximo domingo, dia 13.

    Em entrevista à Rádio Jovem Pan, nesta terça (8), explicou que o ato público contra o governo petista da presidente Dilma Rousseff já estava marcado para o mesmo local e data havia muito tempo.

    Segundo Alckmin, as autoridades policiais do Estado foram informadas há poucos dias de que o PT decidiu fazer um ato de apoio ao partido na Paulista, também no próximo domingo, mas a autorização foi negada.

    “Havia uma solicitação para ter outra manifestação no sentido contrário (pró-PT) e nós dissemos que no mesmo local não pode. Esse pleito a favor do impeachment, contra a corrupção, já estava agendado há mais de um mês”, disse.

    DESDE DEZEMBRO

    Na verdade, o ato contra Dilma e o PT estava marcado desde o final do ano passado.

    A data tinha sido anunciada pouco dias depois do último protesto nacional contra o ex-presidente Lula e o governo federal, no dia 13 de dezembro.

    Segundo o governador, assim como nos protestos anteriores, haverá um esquema de policiamento na Paulista para evitar tumultos.

    “É direito constitucional a liberdade de manifestação, de expressão, e é dever do poder público garantir a tranquilidade à manifestação da população”, afirmou.

    Os protestos contra o PT e Dilma tinham sido marcados em dezembro por organizações como Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua.

    Desta vez,  no próximo domingo, as manifestações terão apoio declarado dos partidos de oposição ao governo federal, como o PSDB de Alckmin, o PPS, DEM, PSB e o Solidariedade.

    PROVOCAÇÕES

    Mas dirigentes do PT como o presidente nacional do partido, Rui Falcão, começaram a dizer, desde sexta-feira passada (4), que os petistas poderiam ir para a Paulista na mesma data, numa clara atitude de confrontação.

    As “convocações” começaram a pipocar nas páginas petistas nas redes sociais depois que o ex-presidente Lula foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal para prestar depoimento num dos inquéritos da Operação Lava Jato.

    Durante toda a manhã do dia 4, petistas convocados pelo partido entraram em confronto com manifestantes de oposição.

    Houve brigas, chutes e socos, tanto na porta do prédio residencial de Lula, no centro de São Bernardo, quanto nas imediações do Aeroporto de Congonhas, enquanto o ex-presidente era interrogado.

    Em Congonhas, o deputado estadual Alencar Santana, pré-candidato a prefeito de Guarulhos pelo PT, foi filmado dando murros e pontapés num manifestante contrário a seu partido. Ele alegou “legítima defesa”.

    VENEZUELA

    A PF bateu à porta do apartamento de Lula às 6h do dia 4 e o levou para a delegacia do Aeroporto, de onde o ex-presidente só saiu três horas depois.

    Além de Lula, a Operação Aletheia, 24ª fase da Lava Jato, também alcançou familiares do ex-presidente, como a mulher, Marisa, e seus filhos (embora estes não tenham sido conduzidos coercitivamente), além do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

    Depois que Lula foi liberado do interrogatório, a direção do partido convocou atos a favor do PT em várias cidades do país para o dia 13, mesma data escolhida antes pela oposição.

    Rui Falcão, presidente nacional do partido, evitou desestimular o confronto. “O desejo da militância é fazer frente aos antipetistas especificamente na Avenida Paulista”. Depois, recuou.

    Em Santo André, na região do ABC, por exemplo, o diretório do PT convocou os militantes para ocupar o Paço Municipal no dia 13, às 9h – uma hora antes do ato previamente marcado pela oposição para o mesmo local.

    No dia 7, o ex-ministro Gilberto Carvalho – hoje, o dirigente mais influente no PT, depois de Lula – disse em entrevista à “Folha de S. Paulo” que uma eventual prisão do ex-presidente seria “brincar com fogo”.

    Ex-secretário-geral da Presidência da República até 2014, Carvalho chegou a fazer uma ameaça explícita: “Temo muito por um processo que nos leve ao que acontece na Venezuela”.

    Foi uma referência às milícias armadas que apoiam o regime autoritário do chavista Nicolás Maduro, aliado do PT.

    Entre 2014 e 2015, essas milícias foram às ruas para tentar conter as manifestações de protesto contra o governo venezuelano, provocando cerca de 40 mortes, a maioria a tiros.

    Não é a primeira vez que petistas ameaçam partir para a violência contra adversários. No dia 13 de agosto de 2015, o presidente da CUT, Vagner Freitas, conclamou os militantes a pegar em armas.

    Num discurso no Palácio do Planalto, diante da presidente Dilma Rousseff (que se calou), Freitas disse que os petistas deveram “sair às ruas, entrincheirados, com armas na mão”, para defender Lula e o atual governo.

     

     

     

     

     

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